Quadrilha atuava junto com máfia internacional de manipulação de apostas.

Na manhã desta quinta-feira (27), uma operação foi efetuada com o objetivo de cumprir mandados de busca e apreensão contra um grupo criminoso organizado suspeito de obter vantagens mediante manipulação de resultados de partidas de futebol do Barra Mansa Futebol Clube. Os crimes foram detectados em jogos da Série B1 do Campeonato Carioca, em 2017.

Por meio do Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor (GAEDEST/MPRJ) e da Promotoria de Investigação Penal de Barra Mansa, em conjunto com a Delegacia do Consumidor (Decon), o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou a ação. Por volta de 8h40, um carro importado de luxo de um dos envolvidos tinha sido apreendido pela polícia.

Carro importado de luxo apreendido na ação em Barra Mansa — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Entre os denunciados estão gerente de futebol que estava à frente do Barra Mansa Futebol Clube na época, acompanhado pelo presidente do clube, em acordo com o proprietário da empresa Agesport, responsável pela administração e logística da equipe. Segundo a denúncia, eles seriam os responsáveis por oferecer aos jogadores do Barra Mansa Futebol Clube vantagem financeira ilícita para aceitarem perder jogos disputados pela equipe de futebol.

Ainda segundo a denúncia, a quadrilha atuava ao lado de uma máfia internacional de apostas e manipulação de resultados de eventos esportivos. A vantagem patrimonial aceita pelos denunciados consistia no pagamento de quantias entre R$ 35 mil e até mais de R$ 150 mil por cada jogo em que o Barra Mansa fosse derrotado de acordo com o interesse da máfia.

A denúncia descreve uma reunião em que os três dirigentes prometeram pagamentos para alguns jogadores para que perdessem por 4 x 0 a partida entre as equipes do Barra Mansa e Audax, válida pela série B1 do campeonato estadual, realizada em 25/06/2017. A derrota buscava concretizar o acerto com a máfia internacional de apostas e manipulação de resultados. Os jogadores refutaram a proposta ilícita.

A partida entre Barra Mansa e Carapebus, marcada para o dia 02/07/2017, foi oferecido pagamento da quantia de R$ 3 mil para aqueles que concordassem em “entregar” o jogo para atender aos interesses da máfia de apostas esportivas. Os atletas refutaram novamente a proposta. Diante disso, propositalmente deixaram de providenciar a presença de uma ambulância no estádio, o que resultou na perda da partida por W.O., alcançando-se assim o objetivo de perda da partida conforme combinado com a máfia.

O presidente é acusado de se apropriar de R$ 342mil pertencentes ao Barra Mansa Futebol Clube, valor da parcela da venda de um jogador formado nas divisões de base do clube e negociado ao clube italiano Internazionale di Milano (acredita-se que o jogador em questão é o lateral-esquerdo Dalbert). A tesoureira chancelou o ato ilícito e também é denunciada pelo crime de apropriação indébita.

Os envolvidos foram denunciados por associação criminosa, apropriação indébita, solicitar vantagem para alterar resultado e dar vantagem a fim de alterar o resultado do Estatuto do Torcedor, tendo ainda seus sigilos bancários quebrados a pedido da Promotoria de Investigação Penal de Barra Mansa, bem como determinado a apreensão dos bens até o montante desviado do Barra Mansa Futebol Clube. A agremiação completará 110 anos de fundação no próximo dia 15 de novembro

Ainda não há uma nota oficial do Barra Mansa Futebol Clube a respeito do caso.

Fonte: G1

 

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