Profissionais que atuam na área de Saúde Mental de Barra Mansa participaram na manhã deste sábado (25), do I seminário interno do setor. O encontro realizado no UBM (Centro Universitário de Barra Mansa) foi promovido pela Secretaria Municipal de Saúde. Entre os temas abordados durante o evento, a Reforma Psiquiátrica e a atualidade.

A coordenadora do Programa de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, Maria Elvira da Cunha Franco, fez um breve relato sobre a Reforma Psiquiátrica no Brasil, iniciativa que surgiu na década de 70, junto com a Reforma Sanitária, mas que no país começou a sair do papel a partir de 1990. “Efetivamente, os avanços vieram com a implementação  da Lei nº 10.216, de abril de 2001, que trata sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. As transformações foram acontecendo e uma das grandes conquistas foi o fechamento das clinicas psiquiátricas, consideradas em sua maioria, como depósito de gente, já que não ofereciam tratamento adequado aos pacientes. Ao contrário, os procedimentos eram padrões, assim como os medicamentos”, destacou a coordenadora.

Maria Elvira frisou ainda a busca pela felicidade a qualquer custo incutida na sociedade. “Vivemos num tempo onde não é permitido sentir tristeza, sentimento inerente ao ser humano. A mídia e as redes sociais impõem a felicidade nas coisas, no consumismo exagerado. É claro que as pessoas precisam ter um nível de ambição, mas também necessitam lidar com a falta, com a realidade de não possuir tudo na vida. Isso não é infelicidade. A felicidade a qualquer custo, o consumismo exagerado e consequentemente o não ter tudo, tem causado o desencadeamento de transtornos mentais, como a depressão, e principalmente,o uso abusivo de álcool e outras drogas”, ressaltou Elvira.

Rede de tratamento mental em Barra Mansa

O município tem atualmente 2,6 mil pacientes sendo acompanhados pelo Caps (Centro de Atenção Psicossocial), Capsi (Centro de Atenção Psicossocial Infantil) e Caps AD (Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e outras Drogas).

No Capsi, situado na Avenida Francisco Vilela, 337, Centro, existem 300 cadastrados. Na unidade, crianças e jovens de até 18 anos de idade recebem atendimento da equipe multidisciplinar composta por psiquiatra, psicólogo, assistente social, fonoaudióloga, enfermeiro, pedagogo e funcionários de apoio.  O funcionamento da unidade é de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas. Sem fila de espera, o pronto atendimento acontece a partir de encaminhamentos realizados pelos postos de saúde, escolas e até pela rede privada.

No Caps, localizado na Rua Cristóvão Leal, 43, Centro, são realizados cerca de 1,1 mil acompanhamentos/mês. Aqueles considerados mais graves, o atendimento é diário. Já no Caps AD, em funcionamento na Rua Professor Pedro Vaz, 75, também no Centro, acontecem aproximadamente 1,2 mil atendimentos por mês.

Tanto o Caps, quanto o Caps AD contam com equipe multidisciplinar e seguem o mesmo horário de funcionamento, de 8 às 17 horas. Nas três unidades são realizadas oficinas terapêuticas, de esportes e de artesanato, além de atendimento individual, em grupo e familiar, de acordo com cada caso. Especificamente, no Caps AD é realizada a oficina da memória.

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