Olimpíadas de Seul, 1988, final dos 200m rasos. Muita expectativa pela vitória do favorito, o americano Carl Lewis, que àquela altura já havia conseguido o recorde mundial nos 100m rasos. Ao seu lado, estava o também americano, Joe DeLoach, que vinha de uma excelente semifinal.

A largada apontava o óbvio, Carl Lewis com sua excelente arrancada, disparou na frente dos adversários, o título parecia garantido. Até que na marca de 150 m, Joe DeLoach, ultrapassa Lewis como um raio, e se sagra campeão olímpico nos 200m rasos.

Ao final da prova, alegria e tristeza se confundiam, favoritismos eram quebrados e novos atletas eram revelados. Um desses atletas, era um jovem de 24 anos, que vinha para sua primeira olimpíada e que imediatamente deixou sua marca, ficando com a medalha de bronze em uma prova repleta de atletas já consagrados.

Nascido e criado no Rio de Janeiro, Robson Caetano, e um ex-atleta olímpico, com uma carreira vitoriosa. Foi ouro duas vezes no Pan Americano de Havana, em 1991, uma vez nos 200m e outra, nos 100m. Foi bronze nos 200m, nas Olimpíadas de 1988, em Seul, e no revezamento 4x100m, em Atlanta, 1996. Também é tricampeão mundial dos 200m, e agradece todos esses títulos a uma pessoa em especial.

“Quem me apresentou o atletismo, foi a professora Sônia Ricette, que me dava aulas de educação física na época de colégio. Sou muito grato a ela por todos os ensinamentos”. Concluí o campeão.

Assim como qualquer atleta, Robson também enfrentou muitas dificuldades no começo de carreira, principalmente pelo Brasil não possuir um plano de incentivo ao esporte. “A maior dificuldade foi entender a dinâmica e o quanto de entrega tinha que fazer para meu sucesso no esporte.” E ainda completou relatando sobre como os atletas tinham que agir para competir, pois não tinham uma bolsa atleta.

“Os atletas da seleção brasileira hoje têm muito mais que na década de 1980, meu auxílio dependia do favor do exército, de uma marca de refrigerantes e de uma marca de calçados esportivos, que juntando tudo dava 1 salário mínimo e meio.”

As Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro, marcaram uma volta do interesse do público e da mídia pelo atletismo brasileiro, pois Thiago Braz, atleta do salto com vara, conquistou a medalha de ouro, e ainda, bateu o recorde olímpico. Mas Robson alerta que o atletismo brasileiro ainda precisa de treinamento nas provas de velocidade.

“ O atletismo Brasileiro carece de um super nome como foi Joaquim, Robson, Zequinha, Adhemar, Prudêncio, João do Paulo; temos que deixar os projetos e colocar em prática as grandes marcas, nós temos um campeão olímpico no salto com vara, mas a prova não favorece muito, as marcas estão melhorando no campo de forma homogênea, mas todos sabemos que as provas de velocidade são as vedetes do atletismo e essas estão a usados lentos, haja visto eu ainda ser o recordista dos 100 metros neste país.

Com seu jeito sempre espontâneo e descontraído, Robson não fugiu das polêmicas e comentou a declaração de Carl Lewis, que em 2016, afirmou que o atletismo estava “morrendo”.

“O Carl não pode falar isso, infelizmente ele se pegou enciumado com a popularidade do Usain e isso pegou mal, ter o nome apagado por algum atleta de país pequeno causou nele esse tipo de reação.”

“Recordes precisam ser batidos”

Até hoje, Robson Caetano é o recordista sul-americano dos 100m rasos, que foi conquistado há 30 anos, e vê isso como sinal de alerta para o esporte sul-americano.

“Recordes precisam ser batidos, a evolução do esporte depende desta prerrogativa, o meu não caiu ainda por uma questão de peso que está jogando nas costas das gerações que vieram depois de mim, por falar nisso quase foi batido o sul-americano por um panamenho, que fez 10.01, agora é questão de tempo”.

Robson Caetano, carrega até hoje o título de “brasileiro mais rápido de todos os tempos” e único brasileiro a disputar uma final olímpica dos 100m rasos e ser medalhista de bronze nos 200m rasos

“A medalha olímpica joga nas gerações que sucederam uma responsabilidade muito maior e que ainda não foi entendida por nenhuma geração que veio depois de mim.”

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