Caminhada e panfletagem teve a finalidade de sensibilizar a sociedade para o tema

Agentes da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos de Barra Mansa, CadÚnico, Conselho Tutelar e do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente participaram na manhã deste dia 18 de maio, quando é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, de uma caminhada na Avenida Joaquim Leite, no Centro. O evento teve a intenção de sensibilizar e alertar a sociedade para a questão, que a cada uma hora afeta quatro crianças ou adolescentes no Brasil, segundo informações do Dique 100, canal do Governo Federal criado para relatar casos de violação de Direitos Humanos. A vice-prefeita Fátima Lima participou da atividade e afirmou que a mídia tem uma parcela muito grande de responsabilidade sobre a erotização dos jovens.

– Existe um contrassenso na questão, pois a mesma mídia que combate o abuso e a exploração sexual dos nossos jovens, é a mesma que se coloca contrária ao problema. Penso que é necessário e urgente colocarmos o ‘dedo nesta ferida’ e tratarmos o problema de fato. Ontem, dia 17, vimos através desta mesma mídia, uma mega operação da Polícia Federal de combate à pedofilia no Brasil, que resultou com a prisão de dois suspeitos no Sul Fluminense. Porém, são ações pontuais que marcam esta data. Este trabalho precisa ser desenvolvido sistematicamente nas escolas, igrejas, comunidades e forças de segurança – disse Fátima Lima.

Presente também a atividade, a secretária de Assistência Social, Ruth Coutinho, disse que o Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) registrou entre o período de 2017 até os dias atuais, 40 casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes, sendo um caso de exploração sexual contra crianças e adolescentes e dois casos de violação de direitos contra pessoa LGBT. “Setenta por cento dos casos são praticados por familiares ou pessoas próximas da criança e do adolescente. Por isto, é de extrema importância a orientação com frequência dos jovens. É dever dos pais orientarem seus filhos para que não deixe ninguém tocar em suas partes íntimas, não aceite convite para assistir filmes impróprios a sua idade e também para o ato de se despir na frente de outras pessoas”, detalhou a secretaria.

ROTATIVIDADE DE PADASTROS – Estatísticas do Disque 100, dão conta que 67,7% das crianças e jovens que sofrem abuso e exploração sexuais são meninas, contra 16,52% dos meninos. Os casos em que o sexo da criança não foi informado totalizaram 15,79%. A maioria dos casos (40%) ocorre com crianças entre 0 a 11 anos, seguidas por 12 a 14 anos (30,3%) e de 15 a 17 (20,09%).A maioria dos agressores são homens (62,5%) e adultos de 18 a 40 anos (42%).

Diante deste fato, o coordenador do Creas, Célio Carlos de Oliveira, alerta as mulheres para a rotatividade de padrastos. “Atualmente existe um circular de parceiros dentro das casas. Isto representa um risco eminente as crianças e adolescentes. As pessoas mal se conhecem e já estão morando juntas. O processo acontece de maneira muito rápida e sem qualquer análise dos antecedentes da pessoa”, abordou o coordenador.

Célio disse ainda que a família necessita resgatar sua atribuição de proteção dos jovens. “Existe um crescente número de usuários de álcool e outras drogas que acaba praticando o incesto contra nossas crianças e adolescentes. O pai precisa ser pai. O mesmo digo em relação às mães. Falta conscientização dos responsáveis para abordar a violência e a exploração sexual, de forma sistematicamente, com as crianças para elas tenham a oportunidade de relatar o que se passa no seu dia a dia”.

 

Como identificar possíveis sinais de abuso sexual em crianças?

Casos de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes são mais comuns do que se imagina. Fique atento a algumas mudanças de comportamento da criança e do adolescente, pois ela pode representar sinais de abuso sexual.

1 – Mudança repentina de comportamento – O primeiro sinal a ser observado é uma possível mudança no padrão de comportamento das crianças. Esse é um fator facilmente perceptível, pois costuma ocorrer de maneira repentina e brusca. Às vezes a criança apresenta rejeição a uma determinada pessoa, fica em pânico quando está perto dela.

2 – Proximidade excessiva – Apesar de, em muitos casos, a criança demonstrar rejeição em relação ao abusador, é preciso usar o bom senso para identificar quando há uma proximidade excessiva. Esse também pode ser um sinal.

 

3 –  Regressão – Outro indicativo é o de recorrer a comportamentos infantis, que a criança já tinha abandonado, mas volta a apresentar de repente. Coisas simples, como fazer xixi na cama ou voltar a chupar o dedo. Ou ainda começar a chorar sem motivo aparente.

 

4-  Segredos – Para manter o silêncio da vítima, o abusador pode fazer ameaças de violência física e promover chantagens para não expor fotos ou segredos compartilhados pela vítima. É comum também que usem presentes, dinheiro ou outro tipo de benefício material para construir a relação com a vítima. É preciso também explicar para a criança que nenhum adulto ou criança mais velha deve manter segredos com ela que não possam ser compartilhados com adultos de confiança, como a mãe ou o pai.

 

5 – Hábitos – Uma criança vítima de abuso também apresenta alterações de hábito repentinas. Pode ser desde uma mudança na escola, como falta de concentração ou uma recusa a participar de atividades, até mudanças na alimentação e no modo de se vestir.

 

6 – Questões de sexualidade – Um desenho, uma “brincadeira” ou um comportamento mais envergonhado podem ser sinais de que uma criança esteja passando por uma situação de abuso.

7 –  Questões físicas – Há também os sinais mais óbvios de violência sexual em menores – casos que deixam marcas físicas que, inclusive, podem ser usadas como provas à Justiça. Existem situações em que a criança acaba até mesmo contraindo doença sexualmente transmissível.

 

8- Negligência – Muitas vezes, o abuso sexual vem acompanhado de outros tipos de maus tratos que a vítima sofre em casa, como a negligência. Uma criança que passa horas sem supervisão ou que não tem o apoio emocional da família, com o diálogo aberto com os pais, estará em situação de maior vulnerabilidade.

O que fazer?

Os casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes devem ser denunciados no Conselho Tutelar e no Ministério Público. Profissionais dos órgãos investigam a situação e encaminham a vítima para acompanhamento de profissionais do Creas, onde é desenvolvido um trabalho de fortalecimento do vínculo familiar. Caso sejam detectados eventuais traumas, a família será orientada a efetuar o tratamento desse jovem na rede de saúde. Outras informações podem ser obtidas através do Creas, no telefone (24) 3322-6534/ 3322-6957 ou do Conselho Tutelar (24) 3322-1029.

 

A denúncia também pode ser feita pelo Disque 100.

 

Foto: Paulo Dimas

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